Controle de jornada do motorista: o que a lei exige em 2026
Controle de jornada do motorista é o registro obrigatório das horas de direção, espera e descanso do motorista profissional, exigido pela Lei 13.103/2015 (a Lei do Motorista). Em 2026, esse controle pode ser feito por diário de bordo, papeleta, ficha de trabalho externo ou por sistemas eletrônicos — e é aí que o rastreamento veicular entra, transformando cada parada em prova objetiva. Veja o que a lei exige hoje, o que mudou após a decisão do STF e como montar esse controle na frota.
O que é o controle de jornada do motorista e quem precisa fazer?
É o registro formal de tudo o que compõe o dia de trabalho do motorista: tempo dirigindo, tempo de espera em carga e descarga, intervalos de refeição, repouso e horas extras. Vale para o motorista profissional empregado, no transporte de cargas e de passageiros, e é responsabilidade da empresa — não do motorista. O autônomo (TAC) não tem jornada controlada por empregador, mas segue sujeito aos limites de direção do Código de Trânsito Brasileiro.
A Lei 13.103/2015 aceita quatro formas de registro: diário de bordo, papeleta, ficha de trabalho externo ou sistemas e meios eletrônicos. O registro digital é permitido desde 2015 — o papel continua válido, mas é o que mais gera divergência quando a jornada é questionada na Justiça.
O que a Lei 13.103 exige na prática em 2026?
As regras se dividem em dois blocos: os limites trabalhistas (CLT, art. 235-C e seguintes) e os limites de trânsito (CTB, art. 67-C). Um cuida do pagamento; o outro, da segurança na estrada. A frota precisa cumprir os dois.
Quantas horas o motorista pode trabalhar por dia?
A jornada padrão é de 8 horas diárias, com até 2 horas extras — podendo chegar a 4 horas extras quando há acordo ou convenção coletiva prevendo isso. Tudo o que passa disso precisa aparecer no registro e ser pago como hora extra.
De quanto em quanto tempo o motorista precisa parar?
Segundo o art. 67-C do Código de Trânsito Brasileiro, incluído pela Lei do Motorista, o motorista de transporte de cargas não pode dirigir por mais de 5 horas e meia ininterruptas, e deve ter intervalo mínimo de 30 minutos para descanso. No transporte de passageiros, a parada obrigatória acontece em intervalo menor, a cada 4 horas de direção.
Quanto tempo de descanso entre uma jornada e outra?
São 11 horas de descanso interjornada a cada 24 horas. Além disso, o motorista tem direito a 35 horas de descanso semanal, que devem ser cumpridas após seis dias de trabalho consecutivos.
O que mudou com a decisão do STF sobre a Lei do Motorista?
Em julho de 2023, ao julgar a ADI 5322, o Supremo Tribunal Federal derrubou quatro pontos da Lei 13.103 que davam flexibilidade à operação. A decisão segue valendo em 2026 — por isso muito material antigo na internet está desatualizado.
- Tempo de espera virou jornada. As horas paradas em carga e descarga deixaram de ser pagas a 30% da hora normal e passaram a contar como trabalho comum.
- Descanso semanal não pode ser acumulado. Não é permitido juntar os repousos para gozar tudo na volta para casa.
- As 11 horas de descanso não podem ser fracionadas. O intervalo interjornada precisa ser cumprido de uma vez só.
- Dupla de motoristas. O descanso na cabine com o veículo em movimento conta como tempo de trabalho para os dois.
O efeito mais pesado para a frota é o primeiro: aquelas quatro, cinco horas de fila em um centro de distribuição hoje entram na conta como trabalho. Sem registro confiável de quando o caminhão chegou e saiu, a empresa perde a discussão sobre esse tempo.
Como o rastreamento veicular ajuda no controle de jornada?
O rastreamento não substitui a obrigação legal de registrar a jornada — ele alimenta esse registro com dados que ninguém precisa lembrar de anotar. O rastreador informa onde o veículo esteve, quando ligou, quando desligou e quanto tempo ficou parado em cada endereço.
Isso resolve os três pontos que mais geram passivo trabalhista em frota:
- Tempo de espera comprovado. O horário de entrada e de saída de cada cliente fica registrado por cerca virtual, sem depender da anotação manual do motorista.
- Paradas de descanso auditáveis. Dá para conferir se a parada de 30 minutos aconteceu e alertar o gestor quando o tempo de direção contínua chega perto do limite.
- Histórico que não se perde. Papeleta rasura, molha e some. O histórico eletrônico pode ser recuperado meses depois, quando a reclamação trabalhista chega.
A Paranátrack, empresa de rastreamento veicular, trabalha exatamente com esse tipo de dado: posição em tempo real, histórico de rotas, tempo parado e relatórios por período. Se a diferença entre os conceitos ainda gera dúvida, leia nosso guia sobre rastreamento e telemetria.
O que acontece se a empresa não controlar a jornada?
Sem registro, a empresa fica sem defesa: a jornada alegada pelo motorista tende a ser aceita como verdadeira no processo, e o custo de horas extras e intervalos não concedidos vem inteiro para o empregador. Há ainda o lado do trânsito — descumprir os limites de direção e descanso é infração prevista no CTB. E existe o risco que nenhuma multa mede: motorista cansado é a causa silenciosa de boa parte dos acidentes graves em rodovia.
Como implantar o controle de jornada por rastreamento em 5 passos
- Mapeie a operação. Rotas urbanas, regionais e de longa distância exigem controles diferentes.
- Instale o rastreador em toda a frota. Controle parcial não serve como padrão de prova.
- Crie cercas virtuais nos pontos fixos. Base, clientes recorrentes e centros de distribuição — é o que automatiza a marcação de chegada e saída.
- Defina alertas de limite. Direção contínua perto do limite legal e veículo parado além do esperado.
- Formalize com o motorista e com o RH. Política por escrito, ciência da equipe e relatório integrado à folha. Sobre os limites desse monitoramento, veja o que diz a lei sobre a empresa rastrear o veículo do funcionário.
Perguntas frequentes
O rastreador pode ser usado como controle de ponto do motorista?
O rastreador pode integrar o sistema eletrônico de controle de jornada, que é uma das formas aceitas pela Lei 13.103/2015. Ele não é, sozinho, um registrador de ponto oficial: funciona como fonte de dados objetivos — horários de ignição, deslocamento e parada — que alimentam e conferem o registro da jornada.
Tempo de espera conta como hora trabalhada em 2026?
Sim. Desde o julgamento da ADI 5322 pelo STF, em julho de 2023, o tempo de espera em carga e descarga deixou de ser pago à parte com valor reduzido e passou a ser contado como hora de trabalho normal. Isso torna o registro preciso de chegada e saída em cada ponto ainda mais importante para a empresa.
Motorista autônomo precisa cumprir os limites de descanso?
Sim. Os limites de tempo de direção ininterrupta e de intervalo para descanso estão no Código de Trânsito Brasileiro e valem para todo motorista profissional ao volante, inclusive o autônomo. O que não se aplica ao autônomo é o controle de jornada trabalhista, porque não existe empregador para registrar.
Quantas horas o motorista pode dirigir sem parar?
No transporte rodoviário de cargas, o limite é de 5 horas e meia de direção ininterrupta, com intervalo mínimo de 30 minutos de descanso, conforme o art. 67-C do Código de Trânsito Brasileiro. No transporte de passageiros, a parada obrigatória é mais frequente, a cada 4 horas de direção.
Conclusão
Controlar a jornada deixou de ser burocracia e virou gestão de risco. Depois da decisão do STF, cada hora parada em um cliente tem custo — e quem não consegue provar quando o veículo chegou e saiu paga esse custo duas vezes. O caminho mais simples é deixar o próprio veículo registrar a rotina.
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